Biologia em pauta

Testes de Covid são capazes de identificar a nova variante da doença?

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Com o aparecimento de casos no Brasil de pessoas infectadas pela mutação do novo coronavírus originada no Reino Unido, surgiu o questionamento sobre a eficácia dos testes realizados no país para a detecção dessa variante. A resposta dos especialistas é que os testes são, sim, capazes de identificar a variante, que é ainda mais contagiosa e já está presente em 50 países, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Euclides Matheucci Jr., Biólogo, membro da Comissão de Saúde do CRBio-01 e cofundador e diretor científico de empresa de consultoria genética e biotecnologia, afirma que o teste PCR em tempo real (RT-PCR), método molecular de detecção de material genético do vírus, consegue identificar a presença da variante do novo coronavírus por meio de partes do vírus que sofrem poucas alterações.

Os testes RT-PCR geralmente analisam os genomas chamados de N1 e N2, regiões do vírus ideais para fazer o exame porque têm pouca variação. A mutação no vírus que originou a variante é no genoma de RNA, o que ocasiona a alteração de um aminoácido específico, a proteína Spike, e torna o vírus mais transmissível.

“O vírus tem antenas com bolinhas nas pontas. Essa bolinha na ponta é a proteína Spike, que se liga a proteínas específicas das células do hospedeiro. Então é como uma chave e fechadura. A alteração na proteína Spike fez com que o vírus se prenda de maneira mais eficiente na célula humana, por isso que ele é mais infeccioso. Ele consegue entrar com maior facilidade na célula humana”, detalha Euclides Matheucci.

Segundo o Biólogo, há centenas de variantes do novo coronavírus no mundo. Não é possível determinar o número exato de variantes, devido à falta de estudos de sequenciamento genético.

“Uma proteína é feita por muitos aminoácidos e essa mutação inglesa altera apenas um deles. Se imaginarmos um carro, a proteína Spike será o canto de um para-choque”, explica Euclides Matheucci, que acredita que todas as vacinas aprovadas serão efetivas contra os diferentes tipos do novo coronavírus.

(Publicado em 15 de janeiro de 2021)

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