Biologia em pauta

A necessária união de esforços para a imunização contra a Covid-19

vacina

O Ministério da Saúde anunciou na terça-feira (20) um acordo de intenção para a aquisição via Sistema Único de Saúde (SUS) de 46 milhões de doses da Coronavac, vacina desenvolvida em parceria entre a empresa chinesa Sinovac Biotech e o Instituto Butantan, mas no dia seguinte o presidente da República anunciou que o governo não fará a compra.

A Coronavac é uma das duas vacinas contra a Covid-19 em estágio avançado de desenvolvimento. A outra vacina é da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e do conglomerado farmacêutico anglo-sueco AstraZeneca, desenvolvida no Rio de Janeiro em parceria com o Bio-Manguinhos/Fiocruz. No caso dessa vacina, o Ministério da Saúde já tem um acordo de transferência de tecnologia, que prevê a compra de doses.

O Ministério da Saúde também aderiu ao Instrumento de Acesso Global de Vacinas Covid-19 (Covax Facility), coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A adesão permitirá que o Brasil tenha acesso a outras vacinas em desenvolvimento em outros países.

Horacio Teles, Biólogo Conselheiro do CFBio e registrado no CRBio-01, aponta que os países estão fazendo reservas estratégicas com compras antecipadas das vacinas ainda em desenvolvimento para garantir a imunização de suas populações.

Ele ressalta a excelência do Instituto Butantan e a importância da aquisição da Coronavac, não só porque essa pode ser a primeira vacina a ficar pronta, como também porque é necessário um número muito grande de doses para imunizar toda a população brasileira. Vale lembrar que cada indivíduo precisará tomar duas doses da vacina.

“Não sabemos que vacina ficará pronta primeiro. Se o Butantan conseguir concluir os testes até o fim do ano, é importante iniciar logo a imunização com a Coronavac”, afirma o Biólogo.

Ele recomenda que a vacinação seja nacional e promovida pelo SUS no âmbito do Plano Nacional de Imunizações (PNI). Segundo ele, não faria sentido o governo do Estado de São Paulo fazer uma campanha de vacinação apenas para os moradores locais, porque as pessoas se locomovem dentro do país.

Horacio avalia positivamente a anunciada estratégia de iniciar a imunização por profissionais de saúde, idosos e pessoas com morbidades. Ele lembra que as vacinas darão proteção apenas parcial contra o novo coronavírus, o que acontece também com as vacinas tradicionais, e que será preciso manter medidas de segurança para evitar o contágio.

(Publicado em 23 de outubro de 2020)

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