Biologia em pauta

No Dia Mundial da Alimentação, CRBio-01 lembra a tragédia da fome no Brasil e mundo

alimentação

O Dia Mundial da Alimentação é celebrado em 16 de outubro, data da fundação em 1945 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Infelizmente, segundo o relatório “Estado da segurança alimentar e nutrição no mundo”, produzido pela própria FAO, não há nada a se comemorar. O número de pessoas afetadas pela fome no mundo está crescendo desde 2014 e chegou a 690 milhões em 2019.

A FAO estima que outras 83 a 132 milhões de pessoas se juntaram ao grupo de subnutridos em 2020, como consequência da pandemia da Covid-19. A organização prevê que a meta estabelecida pela ONU de zerar a fome até o ano de 2030 não só não será atingida como o número de famintos crescerá para 840 milhões de pessoas.

No Brasil, a fome voltou a aumentar. Segundo o relatório, 37,5 milhões de pessoas viviam uma situação de insegurança alimentar moderada no país no período entre 2014 e 2016, número que chegou a 43,1 milhões entre 2017-2019.

Não há dados consistentes sobre a evolução dos índices no país durante a pandemia, mas acredita-se que o pagamento do auxílio emergencial a 67,8 milhões de brasileiros ajudou a mitigar os efeitos da crise econômica na população de baixa renda. Se o governo de fato descontinuar o pagamento do auxílio no ano que vem, o problema da fome tende a se agravar, preveem analistas.

Airton Vialta, Biólogo do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), de Campinas, aponta a contradição entre o crescimento da produção de alimentos e o aumento da fome.

“A produção e produtividade aumentaram nas últimas décadas e os preços dos alimentos, consequentemente, diminuíram. Estamos bem em termos de produção. A produção dá conta. Mas não estamos bem em termos de distribuição”, afirma Airton Vialta.

Ele ressalta que a pandemia não afetou significativamente as cadeias de produção de alimentos no Brasil.

“Não houve desabastecimento. O problema é o desemprego, que limitou o acesso aos alimentos”, analisa Airton. “O pessoal que tem renda maior, por vezes, não valoriza. Tem gente que diz que não consegue viver sem internet. Mas é sem alimento que não é possível viver”.

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