Biologia em pauta

Biólogo empreendedor aponta oportunidades profissionais em Botânica e Ecologia

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Biólogos e Biólogas com conhecimentos sólidos em Botânica e Ecologia encontram um campo profissional amplo e crescente na prestação de serviços para empresas que causam impactos ambientais ou fazem uso econômico de recursos naturais. Essa é a visão do Biólogo Diego Oliveira Brandão, que desde 2013 atua nessas áreas por meio de sua empresa e como autônomo.

“A tendência é aumentar o trabalho nessas áreas, que demandam Biólogos com conhecimento principalmente de Botânica, e também de Ecologia”, afirma Diego Brandão, morador de Jacareí (SP), que fez a graduação na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Empresas de engenharia civil e infraestrutura precisam de Biólogos para integrarem as equipes que produzem estudos de impacto ambiental, necessários para a obtenção de autorizações para obras junto a órgãos ambientais. As equipes são geralmente multidisciplinares e cabe aos Biólogos fazer a parte de Botânica dos estudos.

Um caso típico é de um empreendimento que requer a supressão de vegetação nativa, por exemplo na construção de uma hidrelétrica ou condomínio de casas. O Biólogo faz a lista de espécies na área e estima o número de indivíduos que serão suprimidos. Após a obra, cabe ao profissional selecionar mudas e acompanhar o processo de replantio acordado com o órgão ambiental.

Para prestar os serviços, o Biólogo precisa ter registro no Conselho Regional de Biologia de sua região e emitir Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

“Além do conhecimento em Botânica, é fundamental que o Biólogo leia a Lei 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente”, sugere Diego Brandão.

Empresas que fazem uso econômico de recursos naturais também demandam serviços de Biólogos relativos a Botânica e Ecologia. Diego Brandão cita o exemplo de empresas, na Amazônia, que comercializam sementes e mudas de andiroba (Carapa guianensis), cujo óleo é adicionado a sabonetes e outros produtos. Outras espécies amazônicas com amplo uso comercial são a castanheira da amazônia (Bertholletia excelsa), de onde se extrai a castanha-do-pará, e o Cupuaçu (Theobroma grandiflorum), usado na produção de sucos, polpas e sorvetes.

O trabalho de Biólogos para essas empresas consiste na identificação de espécies, estimativa de suas populações, identificação de sementes e monitoramento de boas práticas de uso.

Diego Brandão relata que foi contratado por uma empresa de cosméticos preocupada com variações na qualidade de um dos insumos utilizados em sua linha de produção: a gordura extraída da planta ucuuba. O Biólogo e sua equipe foram a campo na Amazônia e concluíram que o nome popular ucuuba referia-se a três espécies diferentes.

“São três espécies do mesmo gênero e genética e morfologicamente muito parecidas. Isso explicou a variação na qualidade da gordura. Só um Biólogo com conhecimento de Botânica consegue distinguir”, afirma Diego.

(Publicado em 03 de maio de 2021)

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